domingo, 20 de abril de 2008

Relato de Luisa # 2

Luísa tem 49 anos, e mora em Angra do Heroísmo.
Já nos tinha relatado seu caso, mas agora fá-lo pormenorizadamente.


Durante o tempo em k estudava, tive algumas complicações de saúde , nomeadamente uma anemia muito forte k passou com tratamento e dieta própria. Mais tarde um esgotamento e uma ligeira depressão, sem motivo aparente. Depois estive 2 semanas sem poder mexer com a mão direita, tantas eram as dores. Fiz injecções de 9OB12, durante 8 dias, enquanto andava com o braço ao peito pk as dores eram insuportáveis. Na altura o médico disse-me k era uma inflamação nos nervos da mão.
Quando acabei o curso, fui trabalhar para S. Miguel e volta e meia tinha umas febres sem motivo, umas takikárdias, e mt cansaço. Pensava k era de estar a trabalhar mt, fora de casa e longe da cidade. Nunca dei mta importância a isso.
Quando regressei á minha ilha, os mesmos episódios continuaram, mas de forma mais espaçada.
Aos 23 anos engravidei e tudo estava a correr bem, até k ao 7º mês, senti-me indisposta e rebentaram-me as águas. Fui para o hospital de ambulância e o bebé nasceu a caminho. Estava já morto. Disseram-me k acontecia muita vez na primeira gravidez. Tão parva k era, k acreditei. Nem deu para pensar mt, uma vez k até nem tinha sido uma gravidez planeada. fikei mt triste, mas a idade levava-me a pensar k tinha mt tempo ainda para ser mãe.

Passaram vários anos e os mesmos problemas de cansaço, dores em todo o corpo continuavam, esporadicamente. Nunca liguei mt a isso.
Mais tarde casei e kuase 1 ano depois voltei a engravidar. Uma gravidez espectacular, sem kualker problema, tudo mt normal: análises, consultas, 1ªs ecós, tudo bem. Numa sexta, ao sétimo mes, deixei de sentir o bebé. Aí, sim, fikei aflita. O meu médico não estava cá. Disse ao meu marido mas ele acalmou-me dizendo k era por estar nessa altura e lembrar-me do k tinha passado e k tb a falta do médico podia estar a pôr-me ansiosa. Esperei pela 2ª feira e telefonei a outra médica, minha prima, mas estava de férias. Aconselhou-me a ir ao hospital e dizer o k se tinha passado na 1ª vez. Assim o fiz e disseram-me logo k o bebé estava morto. Pode-se imaginar, né?
Vim para casa e fui internada no dia seguinte, para me provocarem o parto. Assim foi, apesar de tudo, correu bem, fora uma alta de tenção na altura do parto, mas k foi rápida mente controlada.
estive no hospital 3 dias, e como tudo o resto mandaram-me para casa.
O meu médico quando chegou, soube e chamou-me.
Mandou-me para Lisboa fazer dezenas de análises na Maternidade Alfredo da Costa, Instituto Ricardo Jorge, laboratórios particulares, etc. Tudo negativo. Não encontraram nenhuma razão para o k tinha acontecido. Isto foi em fins de Julho, principio de Agosto.
Tive uma depressão, mas passou rápido.

Em Maio do mesmo ano, durante uma aula de Educ Física k estava a dar aos alunos, deu-me uma dor mt forte no ombro Dr. Pedi ao colega k acabasse a aula, pk fikei sem poder mexer o braço e com dificuldade em respirar bem.
Quando o dia lectivo acabou (era 6ªfeira) vim para casa e falei com um grande ortopedista meu amigo. Esteve a ver-me e disse k devia ter dado um jeito com o braço. Receitou-me um anti-inflamatório e k não movimentasse mt o braço. Assim fiz. As dores tornaram-se kuase insuportáveis e não consegui dormir. No dia seguinte estava com bastante febre. Falei com um primo meu médico k me aconselhou a ir ao hospital. Já tinha dificuldade em respirar, andar cansava-me mt e as dores, nem kero lembrar.
Quando lá cheguei, o meu primo já estava á minha espera. Fizeram-me um RX ao tórax e detectaram um pulmão cheio de água. Fui para casa com medicamentação e repouso absoluto.
Na 2ªF voltei e fizeram-me outro RX e uma punção ao pulmão. Continuei em repouso. Os resultados chegaram e não acusavam nada. Entretanto + 1 RX e quase não havia já likido. Todos os médicos acharam estranho. Fikei, sim, com uma adesão da pleura ao pulmão, Fisioterapia para tentar descolar. Enquanto a fazia, os mesmos sintomas do lado Esq.
Mais um derrame do outro lado. Outra vez repouso, dificuldade em respirar cansaço ao ponto de ter de ser a minha irmã a dar-me banho. Quase recuperada, uma tromboflebite.

Aí, sim, internaram-me.
Foram 16 dias k nem gosto de me lembrar. Fikei com a perna Dr. do tamanho da de um elefante, não me podia mexer. dr deitada e quando precisava de mudar um pouco de posição tinha de ser o médico e 1 enfermeira. Fiz dúzias de RX de ecós, tudo k era médico de especialidades iam lá, exames de todos os tipos, etc.
Estava bem, não tinha dores, apenas sentia mt peso na perna ( o trmbo foi na virilha, na artéria fémural, disseram-me depois). As enfermeiras estavam pouco a pouco no meu quarto, com o pretexto de ver o soro. Estava a levar eparina no soro, 24h/dia. O médico k me internou passava 6/7/8 vezes/dia no meu quarto k era mmo ao lado do da enfermagem. Análises de hora a hora... Tomava banho na cama sp k ia fazer um exame era deitada. Só me levantei ao 15º dia, mas com meias calça, dakelas elásticas, grossas, mt apertadas. Depois disso, keda de cabelo, úlceras na boca e garganta, derrames nas cordas vocais. Aí mandaram-me para um outro médico (meu primo tb) reumatologista. E veio o diagnóstico: Lúpus. Fikei na maior. Não sabia o k era... Santa ignorância.
O pânico só chegou quando ele me chamou e me explicou tudo sobre a doença k eu nunca tinha ouvido falar.
Não há palavras para descrever o k se sente. Estava sozinha. Depois de ter estado a ouvi-lo durante uma hora, com toda a calma, kestionando-o kuando não entendia algo. Saí do consultório dele e vim para o carro.
Chorei pelo menos uma hora, a minha vida passou toda, como um filme... E agora, como dizer ao marido, aos pais, enfim, á família???? Sentia-me perdida. Preciso dizer k nessa altura, davam uma esperança de vida de 10 anos. Acalmei-me e, pensei o k kizerem, só pensava no meu marido (4 anos + novo k eu), no meu pai e nos meus sobrinhos k me adoram. Saí dali e fui ter com o meu marido, já calma e contei-lhe de forma mt cor de rosa k tinha uma doença rara e k tinha de ser vigiada.

A partir daí, as coisas foram acontecendo normalmente, cada dia deixava escapar + um pormenor, mais um pouco da conversa com o médico. Até ao dia k o meu marido e uma das minhas cunhadas se lembraram de ir falar com ele sem eu saber... Podem imaginar...
Hoje em dia, lido com isto mt bem, já lá vão quase 16 anos (digo por brincadeira k já estou a ganhar 6). Já tive mais 3 derrames pleurai, pekenos, mais 2 nas cordas vocais. As dores nas articulações é k são uma constante, assim como o cansaço.
Estive 3 anos de baixa (sou Prof., do básico), mas já regressei ao serviço. De tempos a tempos, meto uns dias de baixa, quando já não aguento mesmo, mas vivo bem comigo mesma e com os outros. Apenas me tornei egoísta numa coisa: só vou para onde e quando me sinto com força. Mas quando estou bem, sou capaz de virar este mundo e o outro. A unica coisa k deixei de fazer e k adorava, foi a praia e o sol.
Estou feliz, tenho um marido 5* k me entende e me apoia a 100% e uns sobrinhos maravilhosos k continuam a adorar-me e k são os meus grandes companheiros, amigos, cúmplices de todas as horas.
Ah, mais uma coisinha... já tenho 49 anos, mas o espírito é de 20. Nunca desistam, e tenham sp força. Nós podemos «vencer» o LUPUS, ou pelo menos, enganá-lo :).

2 comentários:

Gonçalo Martins disse...

olá, bem a sua história é esmagadora, mas admiro a sua determinação.....eu tenho lúpus também e não é nada fácil, conviver com o cansaço, tenho que tomar medrol 4mg diário, antidepressivo cipralex e mts calmantes. Mas continuo a guerra tendo somente 33 anos.
Força e gostei de ler o seu relato.

www.artegoncalomartins.blogspot.com
e.mail-gmshapes@hotmail.com

Gonçalo

Tony Madureira disse...

Olá Gonçalo,

Obrigado pelo teu comentário. Náo queres fazer o teu relato?
Se achares que sim já sabes:
tonymadureira@kanguru.pt

Aguardo noticias tuas.

Abraço