segunda-feira, 23 de março de 2009

Lúpus e problemas do rim

"O lúpus eritmatoso sistémico é uma doença que atinge órgãos diversos (dentre eles os rins) e de formas diversas em cada indivíduo.

O acometimento renal é frequente em pacientes com lúpus e, em geral, corresponde a uma glomerulonefrite, que pode apresentar-se das formas mais variadas, indo desde alterações urinárias mínimas (hematúria e/ou proteinúria pequena) até insuficiência renal.

Considerando-se que a nefrite é uma das manifestações de actividade lúpica, devemos estar sempre atentos para a possibilidade de que venha a agravar-se ou a instalar-se num paciente que antes não apresentava lesão renal. Para tanto, além das informações fornecidas pelo paciente e os achados do exame físico, a realização de exames laboratoriais simples como o exame de urina (“Urina I”) e a determinação de creatinina no sangue são necessários. Outros exames podem ser adicionados a estes uma vez constatada a lesão renal.

Essa “nefrite” do lúpus é classificada pela Organização Mundial de Saúde em 6 tipos e essa classificação baseia-se nas informações obtidas ao fazermos uma biópsia renal. A biópsia do rim é um procedimento em que um minúsculo pedaço de tecido renal é retirado para exame anátomo-patológico.

No lúpus, é importante fazer-se esse tipo de biópsia, pois tratamentos diferentes são indicados de acordo com a classe de nefrite encontrada na análise da biópsia. Ela também serve para estabelecer se a doença evoluiu para uma fase crónica, na qual não se deve mais insistir em fazer tratamento imunossupressor. Além disso, dentre outras aplicações, é muito útil para esclarecer por que motivo um paciente com lúpus está evoluindo com insuficiência renal.

Sem dúvida um dos pontos de maior interesse em relação ao problema renal no lúpus é o tratamento. As drogas mais frequentemente utilizadas com esse fim, em nosso meio, são: prednisona (por via oral), azatioprina (por via oral), metilprednisolona (por via endovenosa) e ciclofosfamida (por via oral e por via endovenosa). Essas duas últimas medicações são bastante empregadas sob a forma de “pulsoterapias” por via endovenosa.

A nefrite lúpica que não é tratada ou que não responde a tratamento pode evoluir para insuficiência renal crónica; mas, mesmo quando tratamentos imunossupressores não mais podem deter esse processo, o paciente dispõe de “tratamento conservador” para garantir-lhe pelo maior tempo possível a utilização do que lhe resta de função renal. Cuidados com dieta e controle rigoroso da pressão arterial são medidas simples que podem lenificar a progressão da doença renal crónica para um fase em que a diálise é imprescindível.

Há relatos de que cerca de 20 % dos pacientes com nefrite lúpica evoluem para insuficiência renal terminal. É bom lembrar, entretanto, que o paciente com lúpus tem uma sobrevida em diálise e após transplante renal tão boa quanto a de qualquer outro paciente não-lúpico e raramente apresenta qualquer tipo de actividade da doença (mesmo em outros órgãos) quando em diálise ou após transplante.

O temor que, há algumas décadas, todos tinham diante do acometimento renal já não se justifica em nossos dias, pois com a disponibilidade de esquemas de tratamento mais eficientes a sobrevida do paciente com lesão renal vem melhorando continuamente."

10 comentários:

Isa disse...

Ainda bem,meu Amigo.
Quando comecei a ler o post assustei-me.Vibro logo.Nem dei tempo.Mas passou pq.li tudo e reli,
ficando mais tranquila.
Beijo.
isa.

elvira carvalho disse...

Passei só para deixar um abraço, já que o tempo e disposição não me permitem mais.

Alda disse...

Venho agradecer sua pela visita ao meu cantinho.É sempre benvinda!
Um grande beijinho solidário.

Deivid disse...

Muito obrigada pela informassão
um grande bejo

Tony Madureira disse...

Obrigado pela visita. Tem lupus?

Rafaela Neri. disse...

Muito bom, até imprimir para ler novamente e passar para as pessoas que conhecem o meu problema. Descobri que tinha lupus depois que tive a minha segunda crise renal, há alguns meses. estou em tratamento e na minha terceira crise renal.

Tony Madureira disse...

Olá,
Como estás?
Não queres contar a tua história para o nosso blogue?

Bjs

cheilia disse...

tenho lupos no rim ha 8 anos, mas vivo muito bem. faço o tratamento correto.
cheilia

Tony Madureira disse...

Olá Cheila,
Como estás?
não queres fazer o teu relato?

Abraço

Felipe Lorenzin disse...

TENHO LUPUS A 10 ANOS DESCOBRIR ATRAVES DE UMA CIRURGIA NA ORELHA DE ABANO DEPOIS PASSEI POE ESSE PROCESSO DE QUIMEL E METIL NA VEIA ESTABILIZEI E TIVE 3 FILHOS TIVE UMA PIORA PERDE PARTE DOS RINS HOJE FAÇO TRATAMENTOS COM PREDINISONA E AZATIOPRINA GOSTARIA DE SABER MAIS SOBRE A DOENÇA .