quinta-feira, 25 de setembro de 2008

problemas Pulmonares

" O lúpus pode afectar os pulmões de muitas formas. A pleurite (pleurisia) é a manifestação pulmonar mais comum do LES. A pleura é uma membrana que cobre a parte externa dos pulmões e o interior da cavidade torácica. Ela produz uma pequena quantidade de fluido para lubrificar o espaço entre os pulmões e a parede do tórax. Quando esta membrana é atacada por auto-anticorpos e fica inflamada, ocorre o que chamamos pleurite. Algumas vezes, uma excessiva quantidade de fluido pode ser acumulada no espaço pleural. Quando isso ocorre, dá-se de efusão pleural e ocorre com menos frequência do que a pleurite. Se essa efusão é grande o bastante, ela pode ser visualizada em um raio-X do tórax. Uma vez que a efusão pleural pode ser causada por infecções ou outras condições que não o lúpus, o médico pode precisar de uma amostra do fluido para realizar alguns exames e determinar a causa exacta do problema.

Os sintomas da pleurite incluem fortes e agudas pontadas que podem ser localizadas em uma área específica ou várias partes do tórax. A dor normalmente aumenta ao respirar fundo, tossir, espirrar ou gargalhar. Analgésicos, drogas anti-inflamatórias não asteróides e/ou corticóides podem ser usados no tratamento da pleurite. A efusão pleural normalmente responde a esses medicamentos ou desaparece por si só com o tempo.

Pneumonite é a inflamação no interior do tecido pulmonar, que pode ser causada por uma infecção ou pelo lúpus. A infecção é a causa mais comum de pneumonite nos pacientes com lúpus. Bactérias, viroses, fungos ou protozoários são organismos que podem causar infecção nos pulmões. Algumas vezes a pneumonite pode ocorrer sem infecção sendo então chamada de pneumonite não infecciosa. Uma vez que as duas formas de pneumonite apresentam os mesmos sintomas -- febre, dor torácica, falta de ar e tosse -- considera-se que o paciente tenha uma infecção até que se prove o contrário. O diagnóstico da pneumonite requer exames sanguíneos, exames dos escarros e raios-X. Broncoscopia e/ou biopsia do pulmão também pode ser necessária para determinar se uma infecção é a causa da pneumonite.

O tratamento da pneumonite inicialmente inclui um curso de antibióticos. Se exames laboratoriais e outros testes não mostrarem traços de infecção, então o diagnóstico confirmado é pneumonite lúpica. Essa pneumonite não-infecciosa é tratada com altas doses de corticóides. Drogas imunossupressoras podem ser acrescentadas se a inflamação não for controlada com asteróides.

Doença difusa intersticial crónica dos pulmões é uma desordem relativamente incomum no LES. É uma forma crônica da pneumonite lúpica e afecta uma relativamente pequena quantidade de pessoas. Os sintomas incluem um início gradual de uma tosse crónica e seca; dores torácicas como na pleurite; e dificuldades para respirar durante actividades físicas. O diagnóstico requer a exclusão de infecção como possível causa. Além do lúpus, há outras causas da doença difusa intersticial crónica dos pulmões. Para determinar a causa exacta, procedimentos especiais como a broncoscopia (inspecção visual do interior dos pulmões) e/ou uma biopsia dos pulmões são necessários. A correcta identificação da causa é requerida para que o tratamento adequado seja escolhido com precisão. A pneumonite lúpica crónica deteriora os pulmões e diminui sua habilidade de entregar oxigênio ao sangue. O tecido pulmonar danificado age como uma barreira ao oxigénio que normalmente flui facilmente do pulmão para a corrente sanguínea.

A gravidade e a actividade dessa doença crónica pode ser medida e acompanhada com exames da função pulmonar (testes de respiração). A capacidade de difusão dos pulmões é uma medida de quão facilmente o oxigénio flui do pulmão para a corrente sanguínea, que é usualmente reduzida na pneumonite lúpica crónica. Medições periódicas da capacidade de difusão podem indicar a resposta ao tratamento e possibilita ao médico acompanhar o curso da doença. A pneumonite lúpica crónica é primeiramente tratada com corticóides e a resposta dos pacientes com frequência varia. O curso da doença também varia; alguns pacientes podem melhorar vagarosamente, estabilizar, ou piorar com o tempo.

Ocasionalmente, pessoas com lúpus desenvolvem hipertensão pulmonar ou alta pressão sanguínea nos vasos dentro do pulmão. Se muito grave, ela pode ser vitalícia e com poucas chances de melhora. Ainda não existe medicamento eficaz para tratar a hipertensão pulmonar. Transplantes cardíacos e pulmonares podem ser uma opção para alguns pacientes nessas condições.

Conclusão

O envolvimento pulmonar não é raro no lúpus. A pleurisia e infecções são as condições mais comuns que envolvem os pulmões. A causa mais comum de pneumonite em pacientes com lúpus é a infecção. Pneumonite virótica ou bacteriana também são comuns e todas as pessoas com lúpus que têm um súbito acesso de tosse, febre ou dor torácica pleurítica devem notificar seu médico.

Geralmente, os problemas cariopulmonares associados ao lúpus respondem rapidamente ao tratamento, mas esse tratamento deve ser designado para cada paciente e cada caso específico. Novamente, um diagnóstico preciso e prematuro dos problemas e um tratamento agressivo para reduzir os danos potenciais ao órgão são cruciais para um controle bem sucedido das doenças cardiopulmonares do lúpus.”

14 comentários:

Rosa Canela disse...

Tony ...o seu blog é muitooooo bomm ...me ensinou muita oisa iu ??...beios e obrigada pela visita carinhosa ...
Beijos

Rosa

Biana França disse...

Olá,passando para desejar para você e sua família.
Bjus

R. Rudoisxis disse...

Olá Tony
Obrigado pela sua visita ao Sidadania um blog dedicado à SIDA.
Acredito na partilha da dor e o Lupus é uma doença terrivel também. Tenho algumas amigas com a doença da borboleta,e um blog explicando a doença e dando esperança é muito necessário.
Eu próprio no periodo pré Sida foi-me diagnosticada a doença, que depois se verificou não o ser. Espero que haja um intercambio entre os nossos blogues e terei muito gosto em colocar um link directo para o seu blog.Um abraço e vou ler o seu blogue regularmente.

Tony Madureira disse...

Obrigado pela sua visita e comentário.

Desde agradeço a sua disponibilidade. Se de facto puder colocar um link no seu blog, ficaríamos gratos.
Podemos criar um intercambio ente blogues.

Tudo de bom, e abraço solidário.

paula ferreira disse...

olá Tony
Boa descrição sobre o lupus nos pulmões está muito bem este artigo, de facil comprensão, até eu, porque o meu lupus começou por aqui(e por aqui se vai mantendo)fiquei mais esclarecida ( é que as vezes os nossos medicos parece que falam em codigo, ou não querem que a gente perceba, não é? deve ser mais isso.)
Tudo de bom para todos...
Paula Ferreira

Tony Madureira disse...

Olá Paula,

Obrigado pelas tuas palavras.
A intenção é mesmo essa, fácil compreensão.
Como sabes, o Lúpus da Claudia atacou-lhe os pulmões, o coração, e nomeadamente o rins.
A saber:
Síndrome hemofagocítico adquirido
LES
Hemorragia alveolar
Miocardite
Nefrite lúpica classe IV


Beijinhos

Cynthia disse...

Olá Tony, gostei da explicação do lúpus. Minha mãe faleceu em 2009 na época da gripe suína, bem resumindo ela começou com dores nas juntas, evoluiu pra pneumonia em dois meses depois faleceu, passou 18 dias no hospital onde o diagnóstico poderia ser Lúpus, então fico tentando entender a doença. Abraço Cynthia.

Flávia disse...

Ola TONY, gostaria de agradecer pelas informacoes aqui prestadas. Eu fui diagnosticada ha poucos meses, depois de muitos exmes, medicos distintos e sintomas estranhos. Fiquei internada ano passada com uma possivel pneumonia ou pneumonite, porem os exames laboratoriais nao apontavam presenca de virus ou bacterias. foi muito estranho, nem os medicos entendiam, pois na tomografia e raio x apareciam as manchas, tinha ate um pequeno derrame pleural... meses depois, meu medico atual juntou as pecas e me explicou que era uma complicacao de doenca auto-imune e fechou meu diagnostico. Excelente explicacao! obrigada, Flavia

Tony Madureira disse...

Olá Flávia,
Como estás? Como está o Lúpus?
Obrigado pela tua visita e comentário.
Não queres fazer o teu relato para postar aqui no blog como todos os outros?
Tudo de bom. Obrigado pela presença.
Beijinho

Flávia disse...

Oi Tony, o Lupus aparentemente está sob controle,apesar deste calor aqui do verão Brasileiro me esgotar... Não vejo a hora de chegar ao menos o outono... Vou deixar meu depoimento sim, pode deixar. Aproveito para agradecer pela qualidade e quantidade de informações aqui postadas... fiquei uns dias sem internet, mas agora que voltei a acessar, virei fã... um grande beijo pra vocês! Flávia

sibelle pacheco disse...

OI, Tony. Trato Lúpus desde 1983. E agora ele está querendo se manifestar através de pleurite. Há três meses estou tendo dores na pleura e tá difícil de reverter. Quais seriam os reumatologistas mais indicados no Paraná? Será que você possui algum nome?

Lúcia Maria disse...

olá Tony
tenho andado meio doente ...mas já estou a melhorar.
fez ontem 1 semana que tive que ir de urgência para o hospital, com dores horríveis na zona do peito, quando respirava...dores imensas nos ombros, dores nos joelhos, parecia que os ombros iam ia cair, febre, nauseas...tonturas coração acelarado...foi horrível, estive lá o dia todo, fiz um raio-x, análises ao sangue .
a médica disse-me que o raio-x estava bem, para não me preocupar que não tinha pneumonia, as análises estavam no limite.
estive com cortisona e outro medicamento via veia...saí de lá melhor, disseram-me que foi um surto de lúpus...fiquei muito assustada ...depois ela receitou-me metamizol cinf 575mg para tomar durante 3 dias...enfim
ando sempre com medo de que as minhas defesas estejam em baixo .... e eu possa ficar doente.
tenho sempre a sensação que nos hospitais , principalmente nas urgencias , não se importam muito...o que é triste

Tony Madureira disse...

Olá Lúcia,
Como estás agora?
Espero que estejas bem.

Beijinhos

Memória Brasileira disse...

Eu acompanhava esse blogue porque minha tia (quase mãe, na verdade) era portadora de Lupus... Ela também dava uma lida aqui direto... Infelizmente, em abril desse ano ela teve uma pneumonia e, já durante a internação, os rins dela, (que já não estavam mais 100% em vista da doença) pararam. Teria que fazer hemodiálise o resto da vida. Mas logo foram parando os outros órgãos, e finalmente o coração, e ela acabou falecendo na mesma semana. Muito provavelmente teve a ver com a baixa imunidade...

Muito obrigado por ter nos proporcionado mais de quatro anos de esclarecimento, rsrs. Grande abraço.